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          MENSAGENS EDUCATIVAS POSITIVAS     

 

 

 

  TEMA: FOME E SUBNUTRIÇÃO E A ALIMENTAÇÃO ALTERNATIVA DA FARINHA MÚLTIPLA (MULTIMISTURA)  E OS FANTÁSTICOS RESULTADOS EM SAÚDE


 

    Na atualidade é muito enfocado o combate à fome. Alguns dados podem ser uma alternativa de solução. Os principais responsáveis pela fome são: a desorganização política, a desintegração econômica e o desenraizamento cultural causado pelas sucessivas ondas migratórias e invasão de cultura de outros países. A fome é, também, reflexo dos desperdícios, da falta de informação e da ausência de iniciativas para um melhor aproveitamento das variadas fontes de alimentos disponíveis.
 
    No Brasil se conhecem centenas de plantas nativas que germinam, crescem e se reproduzem espontaneamente em terrenos baldios, hortas, pomares, campos e pastagens. Alimentos riquíssimos como a folha da mandioca (seca), folhas da batata-doce, da abóbora e farelos de cereais (farelo de arroz, por exemplo, de alto poder nutricional; custa muito pouco nas beneficiadoras de arroz), e tantos outros alimentos, são destinados aos animais ou jogados fora ou ainda são desprezados por milhões de brasileiros famintos, porque não sabem de sua utilidade.
 
    Democracia e cidadania não sobrevivem sem dignidade, identidade e compromisso cultural. O resgate e a valorização do conhecimento popular e a assimilação de novos valores através da experiência adaptada à realidade são ferramentas para fortalecer o homem, a cidadania, a democracia e vencer os desafios desse tempo. A ALIMENTAÇÃO ALTERNATIVA é uma das opções para se enfrentar o problema da fome, com menos custo. É divulgada pela ELAE-ESCOLA LIVRE DE AGRICULTURA E A PASTORAL DA CRIANÇA.
 
    A médica nutróloga Clara Takaki Brandão, pioneira na experimentação da alimentação alternativa, comprovou que a fome do brasileiro NÃO É essencialmente calórica e/ou protéica, como afirmam tradicionalmente as ciências médicas e da nutrição. Na creche Casulo em Altamira, no Pará, ela acrescentou uma farinha múltipla às receitas comumente usadas no preparo da merenda escolar.
A FARINHA MÚLTIPLA (ou MULTIMISTURA é composta por:
. Farelo de arroz tostado, farelo de trigo.
. Pó de folhas: . da mandioca, da batata doce e da abóbora (Obs. As folhas devem ser secas à sombra, pois quando estão verdes são impróprias para o consumo)
. Pó de todas as sementes disponíveis, tostadas e moídas, tais como: sementes de abóbora, de melancia, de melão).
. gergelim e amendoim e casca de ovo moída.
Essa fórmula foi consumida à base de 10 (dez) gramas por criança em cada refeição. Os RESULTADOS foram surpreendentes. Após alguns dias de uso dessa farinha múltipla, observou-se:
. Uma melhoria significativa no estado geral de saúde das crianças.
. Melhora da visão e dos reflexos motor e psíquico.
. Cicatrização das lesões cutâneas
. Diminuição das diarréias e outros sintomas típicos da subnutrição.
. Crianças apáticas e com dificuldades de aprendizagem na escola, passaram a ter mais interesse e resposta aos estímulos em geral.
 
    Esses fantásticos resultados em saúde obtidos pelo acréscimo da Farinha Múltipla às refeições das crianças também foram comprovadas pela USP e UFMG e apontam para a riqueza excepcional de vitaminas e sais minerais obtidos na farinha múltipla, nutrientes cada vez mais raros nos alimentos industrializados (tipo arroz branco, farinha de trigo branca, etc).
 
    A Farinha Múltipla supre todas as necessidades nutricionais do homem, sem onerar o custo da alimentação. O importante desta solução ao problema da fome e da subnutrição é que não existe alteração do paladar tradicional das receitas.  Com a alimentação alternativa foram observados diminuição espontânea do alcoolismo, do tabagismo, da obesidade e do consumo de açúcar.
 
    A Farinha Múltipla é uma boa alternativa para o problema da fome. Receitas práticas podem ser encontradas no livreto Alimentação e Saúde, editado pela CNBB-Pastoral da Criança.
 
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Fome no Brasil:
. Mais de 32 milhões de brasileiros passam fome.
. Quase 70% da população não se alimenta adequadamente
. 9 milhões de famílias têm renda mensal que lhes garante apenas a aquisição de uma cesta básica. Não sobra nada para habitação, saúde, vestuário, etc.
. Morrem 300 mil crianças por ano, fragilizadas pela desnutrição.
. 60% das mortes de lactentes e crianças até os 4 anos de idade são causadas pela fome.
. 61% da mortalidade infantil tem como causa a carência alimentar.
. A desnutrição atinge 2/3 da população.
. 8% dos recém-nascidos têm pouco peso (inferior a 2,5 kg.)
. De cada mil crianças, 61 morrem antes de completar um ano de idade.
. No Nordeste há 2,6 milhões de crianças subnutridas (mais da metade no total geral do país); no Sudeste há 1,4 milhão.
. FONTES: IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica) e FAO (Organização das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação - relatório de 1990)
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ALTERNATIVAS CONTRA A FOME - Soluções nutritivas e baratas
( Fonte Revista POLIS, do Instituto de Estudos Formação e Assessoria em Políticas Sociais, SP)
 
    Combater a fome num país com 32 milhões de famintos é um assunto de grande complexidade. Porém, uma solução está na qualidade da alimentação ajudada por alternativas alimentares de baixo custo e alto valor nutritivo.
 
    A ciência da nutrição antes defendia a tese de que uma pessoa consumindo proteínas, gorduras e carboidratos em quantidade suficiente estaria bem alimentadas. Com o tempo, médicos e nutricionistas empenhados em descobrir as causas das chamadas "doenças da civilização", como alergias, câncer, obesidade, diabetes, reumatismos, cálculo renal, infarto, derrame, cáries, etc, reconheceram a importância de outros elementos como os sais minerais (potássio, cálcio, magnésio, zinco, sódio e ferro), as fibras e as vitaminas, embora presentes em pequena quantidade nos alimentos, eles são essenciais como reguladores do organismo.
 
    Enquanto as proteínas, gorduras e carboidratos dão a base calórica e estrutural, para a boa saúde, os sais minerais, a água e vitaminas compõem o importante papel de substâncias reguladoras. Por isso, há algum tempo deixou-se de medir a valor de um alimento apenas pelo seu conteúdo protéico-calórico, passando a se considerar também a sua "força vital".
 
    No entanto, toda a discussão sobre o combate à fome baseia-se no aspecto QUANTITATIVO da alimentação, concentrando-se a atenção na dose diária desejável de proteínas e carboidratos. Essa visão permeia quase todos os segmentos sociais empenhados no combate à fome e à miséria e, por mais que se busquem soluções para o problema, elas sempre recaem nas tradicionais distribuições de leite, cestas básicas e merendas escolares compostas basicamente de alimentos ricos em carboidratos, açúcar e óleo.
 
    Quando se coloca um parâmetro alimentar a ser atingido, muitas pessoas acham que o alvo está em levar para a mesa das classes populares os chamados alimentos "fortes", como a carne, ovos e leite. No entanto, pouco se fala na FOME OCULTA, vivida pelos contingentes populacionais que dispõem de alimentação abundante - e até excessiva - em alimentos calóricos e estruturais, mas pobre no que diz respeito a micronutrientes como ferro, iodo e vitamina A. Absorvidos em pequeníssimas quantidades pelo organismo, estes elementos constituem-se em formadores de enzimas, sangue e fluidos vitais. Quando o alimento de uma pessoa é deficiente desses micronutrientes, o resultado é o chamado "alimento oco" que apenas satisfaz o desejo de comer, mas que efetivamente não nutre. É por isso que as indústrias de alimentos produzem "complementos nutricionais" e a indústria farmacêutica as "cápsulas de complexos mineralógicos e vitamínicos" para suprir tais carências.
 
    Quando se introduz este elemento no combate à fome, então a questão principal passa a ser o custo de um tipo de alimentação que além de alimentos "fortes" e caros, preconiza ainda complementos alimentares industrializados e caros. Dentro deste quadro destaca-se o trabalho da médica pediatra e nutróloga Dra Clara Takaki Brandão, pioneira na sistematização e aplicação de alternativas alimentares de baixo custo. Adepta da idéia de que a desnutrição não é basicamente calórica e ou protéica, a Dra Clara desenvolveu o conceito da MULTIMISTURA, ou Farinha Múltipla, como princípio básico da boa nutrição. Segundo este princípio, a quantidade é dada pela variedade e não pela quantidade. Através de uma combinação de alimentos a mais diversificada possível, ou seja, da Multimistura/Farinha Múltipla, consegue-se aproveitar toda a potencialidade nutritiva dos alimentos.
 
    Para se por em prática a teoria da Dra Clara, não é necessário lançar mão de produtos caros, comprados em supermercados. Ao contrário, a qualidade pode ser encontrada no fundo do quintal, em folhas de hortaliças antes jogadas fora, ervas daninhas, sementes e resíduos de cereais como arroz e trigo. A produção desses complementos nutricionais (farelos, pós de folhas, sementes ou sua reunião na Farinha Múltipla) é feito de maneira bem fácil: selecionar, tostar, moer e peneirar os ingredientes que a compõem. Recomenda-se o uso de farelos, folhas e sementes não porque o povo é pobre, mas porque realmente são mais nutritivos, ricos em vitaminas, sais minerais e aminoáciodos. A Multimistura é essencial - mesmo para aquelas pessoas que dispõem de poder aquisitivo para decidirem o que querem comer. A alternativa alimentar da Multimistura/Farinha Múltipla é uma proposta que serve a qualquer tipo de pessoa, pobre ou rica. Claro que isso só se torna possível a partir de uma ampla campanha de esclarecimento da população e de um longo processo de educação alimentar, algo que tem que ser feito com a máxima urgência por qualquer instituição que pretende abordar seriamente o problema da fome. Sem falar em qualidade, toda a discussão da fome contempla apenas o aspecto econômico, sem tocar na mudança de mentalidade e na transformação cultural que se faz necessária.
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COMO SE FAZ A FARINHA MÚLTIPLA
( Fonte Revista POLIS, do Instituto de Estudos Formação e Assessoria em Políticas Sociais, SP)
 
FARELO DE ARROZ: o farelo fresco deve ser peneirado e tostado em tacho ou panela grossa. Mexer com colher de pau em fogo brando durante meia hora. Quando cheirar a amendoim torrado é sinal de que está pronto.
FARELO DE TRIGO: Caso esteja muito grosso, peneirar e moer a parte grossa para depois tostar por 20 minutos até atingir o ponto, ou seja, cheirar biscoito assado.
FOLHAS VERDES ESCURAS: Exigem secagem em estufas, fornos ventilados ou varais nas épocas de tempo muito seco e quente. O importante é que as folhas não fiquem amareladas e conservem o aspecto verde escuro. Em seguida são trituradas em pilão ou liquidificador e peneiradas.
SEMENTES: Girassol: tostar e moer para depois peneirar. GERGELIM: lavar e tostar os grãos, até que fique com gosto próximo ao do amendoim torrado. Abóbora, Melancia e Melão: lavar, secar ao sol, torrar no forno, moer e peneirar.
PROPORÇÃO IDEAL PARA A MISTURA:
Três medidas de farelo de arroz (32,5%)
Meia medida de pó de semente de girassol (5%)
Três medidas de farelo de trigo (32,5%)
Meia medida de gergelim (5%)
Uma medida de pó de folha de mandioca (10%)
Meia medida de pó de folha de abóbora (5%)
Meia medida de pó de folha de batata-doce (5%)
Meia medida de pó de sementes de abóbora, melancia e melão misturadas (5%)
Onde não houver semente de girassol, por exemplo, ela pode ser substituída por outras sementes, como castanha do Pará, amendoim, castanha de cajú. Cada região do país produz sua própria farinha.
USO: uma colher de sopa de Farinha Múltipla basta para cada xícara de arroz, farinha de trigo e fubá na preparação das receitas diárias.
Para revitalizar a massa da farinha branca em pães, tortas e bolos, ou para aumentar o poder nutritivo de farofas, suflês, omeletes, iogurtes, leite, feijão, arroz e sopa.
Pode ser polvilhada, na base de uma colher de sopa, sobre os alimentos em cada refeição diária (desjejum, almoço e jantar).
 
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REFLEXÕES SOBRE ALIMENTAÇÃO E SAÚDE
 (Texto do livreto "Alimentação e Saúde", editado pela CNBB-Pastoral da Criança em 1991)
 
        Rica é uma alimentação que tenha variedade: arroz, feijão, legumes, verduras (de folhas claras e escuras), soja, ovo, peixes, mariscos, sementes, frutas e FARELO.
        Numa alimentação variada não é indispensável comer carne todo dia. Numa refeição multimistura é oferecido ao corpo nutrientes diferentes como vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e açúcares.
        Para não mudar muito o gosto da comida é bom manter uma boa parte dos alimentos de sempre e ir introduzindo os novos alimentos aos poucos. Deve-se ir misturando um pouco de farelo e pó de folhas em todos os pratos, de forma a enriquecer cada vez mais a refeição. Com a Multimistura na alimentação, a pessoa não precisará de tanto arroz, feijão ou farinha para encher a barriga.
 
O que é alimento alternativo:
        São os alimentos pouco usados na alimentação diária, mas que possuem alto valor nutritivo. Esses alimentos são:
. As folhas verde-escuras como as folhas da mandioca, da batata-doce, beldroega, ora-pro-nóbis, taioba, caruru, marianica e outras.
. Os farelos de arroz e trigo.
. A quirera (canjiquinha, xerém, quebradinho) de milho e arroz.
. As sementes como a da abóbora (jerimum), melancia, gergelim, castanha de cajú, castanho do Pará, pecan, sapucaia e outras.
. Cabeça de peixe, tripa de galinha, cabeça de camarão, ossos de boi, miúdos de criação, etc.
. Casca de ovo.
        Os farelos de trigo e arroz são o resultado do polimento do grão do trigo e do arroz, processo usado para deixar o arroz e a farinha branquinhos. Só que no polimento do arroz e do trigo vão embora o olho e a camada de recobrem o grão, onde está concentrado a maior riqueza do arroz e do trigo: os minerais, as vitaminas e boa parte das proteínas do arroz e do trigo. Esses nutrientes são importantes para manter e recuperar a saúde.

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