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         MENSAGENS EDUCATIVAS POSITIVAS     

 

 

 

  TEMA: EXPERIÊNCIAS COMO ESTUDANTE DE PSICOLOGIA

E COMO PSICÓLOGO - LIÇÕES DE VIDA.  

 
   

              Perguntas e respostas da entrevista com Antonio de Andrade

   feita por estudantes de Psicologia:

1)  Nome:

Antonio de Andrade, nascido em 1944, em Lorena, SP

2) Estado civil:

Casado pela 2ª vez, após divorciado, com 4 filhos do 1º casamento. 

 

3) Em que ano você ingressou no Curso de Psicologia em Lorena, SP?

Ingressei em 1967, após passar no vestibular para o Curso de Filosofia. Em 1970 recebi o diploma de Licenciatura desse curso. Quando estava para iniciar o quarto ano  (em 1970) o Curso de Psicologia tinha sido aprovado pelo MEC e fiz com todos os colegas, adaptação para iniciar o Curso de Psicologia já no 2º ano e concomitante foi terminado o curso que estava fazendo (Filosofia), tendo carga horária maior, incluso aos sábados, isso porque eram feitos o 4º ano de Filosofia e o 2º ano de Psicologia. 

 

4)  Com que idade começou a cursar Psicologia?

Eu tinha 24 anos

 

5)  Em que ano você se formou?

Licenciatura em Filosofia em 1970, Licenciatura em Psicologia em 1972 e Curso de Psicólogo (conhecido como 5º ano) em dezembro de 1973. Na foto ao lado, momento em que recebi o diploma.

6)  Você, além da formação como Psicólogo, fez: bacharelado ou licenciatura?

Fiz Licenciatura em Filosofia e Licenciatura em Psicologia.

 

7)  Quais são os seus títulos acadêmicos? Em que área e qual o ano de formação?

Especialização:

1. Pós-graduação em Administração de Empresas em "Planejamento, Organização e Métodos" - Terminei no ano de 1985.

2. Formação em Análise Transacional - Anos 1977 e 1978.

3. Curso de Formação em Psicodrama (Terapeuta Psicodramatista) - 1980 e 1981. Não terminei o curso de 3 anos.

4. Desenvolvimento Gerencial - em 1979

5. Tenho uma série de outros cursos de pequena duração, participação em congressos, simpósios, Curso da Escola Superior de Guerra, etc que fui fazendo durante minha vida profissional.  Mestrado- não fiz porque não vi necessidade já que não ia atuar em área acadêmica e porque acho que não ia me desenvolver em nada. Idem o Doutorado. Nunca gostei de usar um "Dr." na frente do nome, mesmo quando atuava em Clínica (os clientes sempre tratam o Psicólogo clínico como Dr). Mas há muitos psicólogos que fazem questão de ostentar um Dr na frente do nome. Sempre optei pela simplicidade de vida e de relacionamento com meus clientes, seja na placa do consultório ou  nos papéis timbrados que utilizava (só com o nome, sem nenhum título, apenas Psicólogo). Esse tipo de comportamento pela simplicidade de vida pode ser melhor conhecido, se o desejar, lendo uma entrevista sobre esse assunto que está em meu site com o título "Felicidade, pela Simplicidade Voluntária", cujo link é

www.editora-opcao.com.br/ada06.htm

 

O seu tempo de estudante de Psicologia:

1)  O que o levou a optar pelo Curso de Psicologia?

Sempre gostei da área humana, desde o tempo do segundo grau (chamado de "ginásio"  na época), fiz Curso Normal e gostei muito da matéria Psicologia. Como não tinha recursos financeiros para estudar esse curso em SP optei pelo de Filosofia que havia em Lorena e quando abriu o curso de Psicologia, já tinha condições de realizar meu sonho.

 

2)  Como era o processo seletivo?

Tinha que fazer Vestibular. Durante os anos do Curso de Psicologia, um grupo de professores avaliava cada aluno e ao final do 4º ano, na Licenciatura, era avaliado e decidido se o aluno tinha ou não condições de amadurecimento pessoal e profissional para fazer o "5º ano", o Curso de formação de Psicólogo. Na minha turma alguns alunos não foram aprovados para fazerem o 5º ano.

 

3)  Qual foi a reação de sua família em relação a sua escolha por Psicologia?

Meu pai, que era militar, Sargento do Exército, queria que os 3 filhos homens seguissem a carreira militar, no Exército, que dava mais futuro e segurança. Nenhum dos 3 filhos homens seguiu a carreira, eu fui para Psicologia, e os outros dois para Engenharia. Meus pais, não ficaram muito animados por eu seguir Psicologia, curso "que não dá futuro", na avaliação que eles faziam na época. Na atualidade, um de meus filhos realizou o sonho do meu pai, pois seguiu a carreira militar, como Oficial no Exército brasileiro.

 

4)  Quais mudanças significativas ocorreram na sua rotina pessoal no tempo em que você era estudante em Lorena?

Eram anos de "governo militar" e havia muita tensão no ambiente acadêmico e vivia-se em sobressalto constante. Mesmo com esse ambiente, fui presidente do CEPSI - Centro de Estudos Psicológicos da Faculdade e em seguida presidente, por duas gestões consecutivas, do CEL - Centro Estudantil Lorenense, enfrentando esse "clima" existente, já que o que motivava era o ideal de se fazer alguma coisa de positivo, unindo os ideais estudantis  existentes, sem partidarismo político, postura que eu adotava. Depois que eu já tinha concluído o curso, soube que o CEL fechou após alguns anos de funcionamento. Os anos de curso foram anos de dedicação aos estudos, ao trabalho no Laboratório de Psicologia (fui funcionário da Faculdade, como Psicometrista, atuando no Laboratório Experimental de Psicologia, realizando Psicotécnicos para motoristas e Exames Vocacionais, com testes psicológicos, além de atender a caravanas de estudantes de Psicologia de outras regiões que iam a Lorena conhecer o grande Laboratório de Psicologia que existia na época, na Faculdade), estudando nas horas vagas, nos fins de semana, não tendo tempo para alguma diversão. Eu trabalhava no Laboratório das 7 da manhã às 14 hs e no sábado das 13 às 18 horas e minhas aulas iniciavam de segunda à sexta ás 15 horas e iam até às 22 hs e sábado das 7 às 12 hs. Na história do Curso de Psicologia de Lorena, talvez eu seja um caso único de aluno e professor ao mesmo tempo, pois em 1972 e 1973 ministrei aulas de Testes Psicológicos para o 2º ano de Psicologia enquanto ainda era aluno (no 4º ano de Psicologia) e no Curso de Complementação Pedagógica a matéria Medidas Educacionais. Apesar do pouco tempo livre que eu tinha, ainda achei tempo naqueles anos como estudante, para editar a 1ª Revista de Cultura Psicológica do Curso de Psicologia de Lorena, a Revista Persona, que era publicada mimeografada, a cada 3 meses, com matérias que interessavam aos alunos de Psicologia. Com os poucos recursos que havia, a revista foi editada só alguns números.

 

5)  Você passou por alguma crise existencial durante o curso?

Acho que os conhecimentos do curso, em especial as pesquisas que fazia, as leituras feitas, em especial de Psicanálise, Gestalt e na linha de Rogers, tudo ajudou no amadurecimento como pessoa e na postura profissional. Lembro-me que um dos conflitos que eu sentia, era com o que observava no dia-a-dia do ambiente acadêmico, na realidade da faculdade, e com o que alguns professores ensinavam, divulgando a orientação e filosofia do fundador da ordem religiosa, mas na prática não se via a aplicação dela, pois dificilmente algum aluno conseguia bolsa de estudo e o curso tinha mensalidades consideradas caras por todos os alunos, diferente dos princípios do fundador da ordem que queria educação para os menos favorecidos. Isso para mim foi tão marcante no meu tempo de estudante que até coloquei uma situação semelhante, na história do meu quinto livro Os Segredos de Fellicia, mostrando o que em Filosofia chama-se de "Hipóstase", ou seja, uma realidade em oposição às aparências.  Outra "crise existencial" que lembro que tive foi em relação à orientação do Curso de Psicologia, já que em todos os anos do curso  só se estudou psicopatologias, neuroses e outros "oses" e como futuro psicólogo eu e meus colegas iríamos "tratar" as pessoas para virem a ter um comportamento mais equilibrado e  "normal". Meu questionamento com a orientação do curso era que não se tinha enfocado e estudado o que "seria" esse ser humano mais equilibrado e normal. Terminei o curso e comecei a pesquisar por conta própria  durante minha atuação como psicólogo clínico e toda minha pesquisa, reflexão e análise resultaram no meu terceiro livro publicado, "Criança Feliz, Adulto Feliz", encontrado no site  www.editora-opcao.com.br  Um outro "conflito" que eu vivia na época do curso é que eu achava que a atuação de um psicólogo, em especial nas empresas, poderia ser bem mais ampla do que o professor da matéria Psicologia Industrial ensinava, com ênfase mais em Seleção de Pessoal. Eu colocava minhas idéias em debate, lembro-me bem, mas o professor que ministrava a cadeira Psicologia Industrial não tinha mentalidade aberta, infelizmente. Quando me formei comecei a atuar na área industrial, primeiro como Supervisor de Treinamento na Johnson & Johnson SA de São José dos Campos, SP e uns meses depois, fui convidado a trabalhar na Artex SA Fábrica de Artefatos Têxteis de Blumenau, SC, onde consegui apoio dos donos da empresa, para colocar minhas idéias inovadoras em prática, o que fiz nos 11 anos em atuei nessa empresa e depois nas outras onde realizei trabalhos como Consultor Organizacional. Assim, fui um dos primeiros psicólogos a criar um sistema de Pesquisa e Análise do Clima Humano e a realizar ações para melhoria do clima humano das empresas, com Campanhas Motivacionais, Diagnósticos dos fatores de insatisfação e de satisfação no ambiente de trabalho, Ações inovadoras para enfrentar o Absenteísmo (Faltas ao trabalho) e Turnover (rotatividade de pessoal), etc. Essas idéias diferentes de atuação de psicólogo em empresas, coloquei em meu livro Os Segredos de Fellicia, encontrado também pelo site citado. E essas idéias inovadoras coloquei também nas Consultorias Escritas que tenho escrito. Muitas das pesquisas feitas em meus anos de atuação nas empresas onde trabalhei ou onde realizei trabalhos como Consultor Organizacional e/ou ministrante de treinamentos para chefias em Blumenau, em Brusque, em Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre, S.Paulo, etc, essas pesquisas e reflexões que eu fazia em meus estudos, desenvolvi como Consultorias Escritas, materiais didáticos especiais, que estão disponíveis, pelo site, na página Consultorias  Escritas (temas: Motivação no Trabalho, Diagnósticos Organizacionais, Absenteísmo e Turnover e outros temas que estou desenvolvendo). Todos esses temas são assuntos que um psicólogo industrial irá utilizar e trabalhar, se for um psicólogo que não fique "bitolado" em funções somente de Seleção de Pessoal, mas tenha uma mentalidade aberta para outros assuntos humanos  nas organizações.  Os psicólogos recém formados e os administradores de empresas geralmente saem das Universidades com muita pouca bagagem prática para poderem realizar, com qualidade e com resultados, trabalhos em empresas. Essas Consultorias que tenho escrito preenchem uma lacuna existente, de idéias que funcionam, contribuindo para que psicólogos e administradores tenham recursos práticos em mãos para poderem realizar um melhor trabalho profissional nas empresas onde atuem.

Caso deseje mais detalhes de minha vida profissional, empresas onde atuei, etc, veja em meu site na página "Currículo: Conheça Antonio de Andrade", pelo link:  www.editora-opcao.com.br/curri.htm

 

6)   Quais as maiores dificuldades enfrentadas durante o curso?

O custo das mensalidades, professores extremamente  "doutrinados" na Teoria do Skinner (muito em voga naquela época, década de 1970, em especial na PUC de Campinas, de onde a maioria dos professores era oriundo) em oposição às outras teorias (Psicanálise e Roger, dentre outras) que outros professores de outras orientações tentavam ensinar. Outro aspecto era a dificuldades para estágio em indústrias, pois as empresas da época ainda não estavam "abertas" para receber estagiários de psicologia, que era novidade no Vale do Paraíba. 

 

7) No tempo em que você era estudante, qual(is) o (s) fato(s) mais marcante(s) que você presenciou na Faculdade onde estudava?

O principal foi a mudança dos ideais iniciais que levaram à criação do Curso de Psicologia, que eu conhecia bem porque como Presidente do Centro de Estudos Psicológicos da Faculdade, era representante dos alunos no Conselho do Departamento de Psicologia (nos anos de 1970, 71 e 72) além de Secretário que registrava as discussões das reuniões desse Conselho. Exemplos de mudanças: Extinção do Laboratório Experimental onde se praticava as experiências da área comportamental, com ratos, com as Caixas de Skinner. Extinção do Laboratório de Psicologia, que possuía muitos aparelhos para pesquisa de psicologia, um laboratório igual ao da Universidade de Turim na Itália, tão especializado que na época, aos sábados à tarde, vinham caravanas de estudantes e professores de psicologia de SP e outras regiões, visitar o laboratório. Eu mesmo tenho pesquisa publicada na Revista da Faculdade (Ano 15, 1974, Nº 22, páginas 120-123, sob o tema Psicologia Social: Facilitação Social) feita em um dos aparelhos desse laboratório, o Ergógrafo de Mosso provando a influência de uma platéia no alto desempenho das pessoas. Essa pesquisa e fotos dos aparelhos desse Laboratório podem ser conhecidos em meu site pelo link: www.editora-opcao.com.br/ada68.htm  Uma terceira mudança: extinção da Clínica de Treinamento dos Alunos, com salas especiais com vidros unidirecionais onde os professores e alguns alunos ficavam assistindo outro aluno na sala de atendimento (sem o cliente saber que estava sendo observado) e o aluno em treinamento recebia depois as orientações do professor sobre o que tinha sido correto e adequado ou não. Essas três mudanças indicam, para mim, mudança daqueles ideais que havia quando o curso foi criado. Eu conheço bem esses ideais porque participei ativamente das atividades da criação do curso de psicologia. Lembro-me que passei um mês de janeiro, de minhas férias, datilografando, sob orientação do responsável da Faculdade, do material que o MEC havia pedido. 

 

8) Como era o convívio de sua turma?

Era muito bom, havia muita camaradagem e responsabilidade nos estudos.

 

9) Quais professores tiveram maior impacto na sua formação profissional.

Sem desmerecer outros, acho que foram os professores Pe. Guedes e Pe. Ferreira, pelos conhecimentos humanos e grande capacidade que possuem, com quem muito aprendi sobre Psicanálise e outros assuntos da Psicologia, além de Franz Victor que ministrava a Teoria de Rogers.

 

10) Como foi a sua formatura?

Para mim foi a mais simples possível, devido à dificuldades de recursos que eu vivia na época e já estar trabalhando em indústria como psicólogo, onde iniciei em dezembro de 1974 muitos dias antes de minha formatura, ao final de dezembro.

 

11) Tem fotos desse tempo?

Tenho fotos do Laboratório de Psicologia, foto de uma experiência com o "detector de mentiras" e uma foto da formatura, fotos encontradas em meu site na página cujo link é www.editora-opcao.com.br/ada68.htm

 

12) Você ainda mantém contato com colegas que foram seus contemporâneos ? (se sim, quem?)

Não, raramente tenho contato com algum colega dessa época. Quando me formei, após uns meses mudei para Sta Catarina e vivi em Blumenau lá por muitos anos, por isso perdi o contato com os colegas. Quando retornei à Lorena, fui trabalhar em Consultoria Organizacional, como empregado de empresas de consultoria em São Paulo e depois como profissional autônomo, e passava viajando de domingo à noite até sexta-feira à noite, o que restava pouco tempo para encontrar colegas do curso. 

 

Atuação profissional:

 

1) Como era o mercado de trabalho da psicologia quando você se formou?

Poucas empresas tinham psicólogo trabalhando e a atuação era mais em Seleção de Pessoal, com aplicação de testes. Poucas empresas buscavam psicólogos para outras áreas, como a de treinamento, que estava nos seus primórdios aqui no Vale do Paraíba.

 

2) Depois de formado, quais foram as maiores dificuldades profissionais que você enfrentou?

A mentalidade de chefes de empresas que não sabiam o que um psicólogo poderia contribuir com seus conhecimentos para a empresa. Tinha-se que ter muita argumentação e confiança no que se fazia para convencer de que o que se propunha poderia dar certo. Por exemplo: certa vez examinei o elevado índice de produtos com segunda qualidade na empresa onde trabalhava (toalhas ou lençóis costurados com costuras tortas, por exemplo) e constatei que era devido ao cansaço físico das costureiras que ficavam 4 horas costurando, paravam meia hora e ficavam outras quatro horas costurando. O estudo que fiz foi baseado nas pesquisas de Frederick Taylor de 1885 e nas pesquisas de George Elton Mayo (estão descritas na pasta Motivação de Recursos Humanos, material didático encontrado pelo meu site citado). Sugeri ao diretor de Produção que a cada hora fosse feita uma parada de 5 minutos  e todas as costureiras tinham que se levantar, esticar o corpo, rodar os braços para um lado e outro, fazendo uma pequena ginástica que "descondicionasse" os músculos delas e relaxasse a cabeça um pouco. Após essa ginástica voltariam a costurar por mais uma hora. O tal diretor achou um absurdo, iria perder muito em produção. Eu insisti na idéia e consegui convencê-lo a fazer um mês de experiência, com um grupo de costureiras. Resultado: a produção aumentou, o nível de segunda qualidade baixou a níveis aceitáveis e as operárias ficaram mais contentes, mais motivadas, comprovando os Estudos de Elton Mayo.

Outra dificuldade era conseguir leituras para pesquisa e aperfeiçoamento de idéias sobre algum assunto de psicologia já que eu residia em Sta Catarina e estava longe de tudo, já que as boas livrarias estavam, naquela década de 70 e 80, em São Paulo e no Rio, não sendo encontrado quase nenhum livro bom nas livrarias da cidade. Como fui o primeiro psicólogo a atuar em empresa na cidade de Blumenau, vivia praticamente sozinho, sem ter algum outro colega para trocar idéias e tive que me virar sozinho, pesquisar sozinho. O outro psicólogo que havia, que residia em Gaspar, o Wilson, atuava em clínica e na Furb, ministrava aulas. Um ano depois chegou outra colega na cidade, vinda de Curitiba, a Evelina, além de outro psicólogo que convidei a trabalhar em outra empresa (Altona, a pedido desta), Leonardo  que logo em seguida foi atuar em Clínica, e no outro ano outra psicóloga, Jovita, que convidei para uma vaga numa empresa de Brusque e logo chegaram mais duas psicólogas e em alguns anos havia uns 25 psicólogos na cidade ao ponto de ter sido criada uma Associação de Psicólogos.

 

3) Qual foi sua primeira experiência profissional na psicologia?

3.1. Ainda quando era estudante, trabalhei como funcionário no Laboratório de Psicologia Experimental da Faculdade, realizando Orientação Vocacional (aplicação e correção de testes de aptidões, de inteligência, etc), Exerci a função de Psicometrista realizando testes de avaliação de motoristas (PMK, aplicação e correção, e outros testes para motoristas) e ainda como aluno, fui também professor no Curso de Psicologia lecionando a matéria Técnicas de Exame Psicológico (Ano de 1973 no 2º ano de Psicologia), no Curso de Complementação Pedagógica a matéria Medidas Educacionais (Ano de 1972).

 

3.2. Formado Psicólogo, iniciei na Johnson & Johnson SA de S.José dos Campos como Supervisor de Treinamento, e alguns meses depois como Psicólogo, na Artex SA, de Blumenau. Nessa cidade, por ter sido o primeiro psicólogo a atuar em empresa da cidade, muita gente procurava orientação e isso me fez  iniciar atendimento em Clínica, à noite, junto com o colega Wilson. Uns meses depois, sai da sociedade com o colega e junto com a colega psicóloga Evelina, estruturamos a Clínica Psicológica Catarinense SC Ltda, ela atuando na área de crianças e adolescentes e eu na de casais e os dois realizando Orientação Vocacional e eu também Cursos para empresas. Na clínica, no horário das 18 às 22 horas, atuava como Terapeuta de Casais, além de realizar aos sábados, Orientação Vocacional, seleção de pessoal para chefias (criei um método próprio), Pesquisa e Análise do Clima Humano (com um método próprio que criei fiz esse tipo de pesquisa em várias empresas de Sta Catarina) e atuava em Treinamento de Chefias (criei os cursos que podem ser conhecidos pelo site citado,  "Análise Transacional para o desenvolvimento interpessoal", "Comunicação Empresarial Eficaz" e "Liderança Gerencial"). Um desses cursos eu agora estou disponibilizando, pelo meu site, para outros psicólogos poderem utilizá-lo, treinando chefias em empresas. Uns anos depois que já estava atuando na Artex, fiz concurso para o Detran do Estado, passei e escolhi a Ciretran de Blumenau, onde atuei por 12 anos, trabalhando um dia por semana e o restante do tempo continuei na empresa onde já atuava. Por um ano também lecionei Psicologia na Universidade Regional de Blumenau (Furb).

 

O impacto da psicologia na sua vida pessoal:

 

1) O que de mais significativo a psicologia mudou na sua vida?

Ao me formar psicólogo tive melhoria das condições financeiras, isso foi muito significativo, tendo melhores condições para estruturar e desenvolver  minha carreira, realizando-me como pessoa e profissional, tendo condições para desenvolver as idéias inovadoras que eu tinha na área da psicologia, culminando de uns anos para cá, na escrita de livros para pais e educadores e para casais e na criação de uma pequena Editora, a Editora Opção, para publicar meus livros e de outros autores, além de pelo site da editora, divulgar os artigos que tenho escrito, através dos quais tenho colocado minhas idéias sobre algumas temas da psicologia e o que aprendi com minhas leituras e experiências clínicas e como psicólogo industrial (artigos que tenho enviado gratuitamente para mais de 1.000 jornais, artigos sobre relacionamento de casais, pais e filhos, educação, etc e que tem sido publicado por revistas especializadas, como a Revista de Psicologia Catharse, a Revista do Professor, e outras que podem ser conhecidas na página "Fatos & Fotos: Acontecimentos" pelo link www.editora-opcao.com.br/ada28.htm Nessa página há fotos do lançamento de meus livros em Blumenau e em outros acontecimentos.

 

2) A psicologia, de algum modo, afetou seu lado espiritual?

Todos os conhecimentos do curso, leituras, reflexões, etc ajudaram, a meu ver, a ter um pouco mais de auto-conhecimento e a ter paciência com outras pessoas que estão em nível de desenvolvimento pouco amadurecidos.  Todos os conhecimentos ajudaram nas reflexões emocionais e espirituais que tenho feito. Receptivo à minha voz interior, encontrei o meu caminho, no meu tempo e ritmo, desenvolvendo meu interior, cultivando e expandindo minhas virtudes, o Amor Universal, a bondade, o equilíbrio, a serenidade, a paz interior, a simplicidade, a harmonia, a paciência, a mente aberta, a alegria, o entusiasmo. E me deu mais consciência da influência negativa que as religiões estruturadas causam aos seres humanos, com influência negativa causando nas pessoas inibição e sentimento de culpa, dois dos aspectos que mais encontrei e trabalhei na atuação terapêutica. Para mim o lado espiritual nada tem a ver com religiões estruturadas  na sociedade humana.  

 

3) Ser psicólogo, de alguma maneira, ajuda ou atrapalha na sua vida pessoal?

O exercício da profissão de psicólogo, que exerci por mais de 20 anos, em especial nos anos em que atuei como Consultor Organizacional viajando pelo Brasil e só estando no lar nos fins de semanas, atrapalhou bastante minha vida pessoal  e em especial de casal, pois pouco vi meus filhos crescerem e atrapalhou pela pouca convivência que tive com eles; atrapalhou a vida de casal a ponto de meu casamento de 17 anos acabar culminando em divórcio. Nos anos em que trabalhei em Blumenau, acho que também atrapalhou minha vida pessoal, pois eu trabalhava demais, ia para o trabalho na fábrica textil às 7:00 e lá ficava até 17:00 horas, passava em casa "voando", e das 18:30 às 22 horas trabalhava na Clínica realizando terapia de casal ou estruturando cursos e trabalhos que desenvolvia para empresas. Em certo ano, em algumas noites, era professor na Universidade de Blumenau, na FURB, ministrando Psicologia Geral e da Criança e do Adolescente em Cursos de Pedagogia e um dia por semana, depois que passei no concurso para o Detran do Estado e ter negociado com a Artex, atuava na Ciretran da cidade, realizando Psicotécnicos para avaliar motoristas. Aos sábados, ia para o consultório às 7:00 horas para realizar Avaliações de chefias, Orientação Vocacional (aplicação de testes) voltava para casa ao meio dia e às 13 horas retornava para o Consultório para corrigir e avaliar os testes, elaborar e datilografar os Laudos Psicológicos e deixar tudo pronto para na segunda-feira a secretária despachar pelo Correio ou ser entregue a motoristas de empresas-clientes que iam buscam os resultados. Isso ia mais ou menos até 17 ou 18 horas. E em vários fins de semana no ano, sábados e domingos, ainda ministrava treinamentos para chefias de empresas da cidade ou região. Assim, a convivência no lar era muito pouca e hoje, relembrando, acho que já naquela época deveria ter diminuído o ritmo de trabalho, trabalhando menos, devia ter tido menos preocupação em realizar tantas atividades profissionais e ter dado mais atenção à família, convivendo mais tempo com os filhos em suas evoluções e com a esposa. 

 

4) Qual influencia do curso de psicologia nos seu sentimentos amorosos?

O curso pouco ajudou, pois deu muitas informações mais voltadas aos problemas da psicologia. Acho que foram mais as minhas leituras sobre Psicanálise e outros assuntos correlatos em especial de Rogers (cito por exemplo o livro que muito ajudou, do Carl Rogers Novas Formas do Amor e outros livros) que muito contribuíram para minha consciência, sensibilidade, amadurecimento e vivência com sentimentos amorosos.

 

5) Já houve alguma situação em que um(a) aluno(a) ou um(a) cliente tenha se apaixonado por você? Se sim, como foi?

Uma cliente que tinha necessidade compulsiva de que os homens pelas quais ela se interessasse, tivessem "um caso com ela", ao iniciar o tratamento comigo, no segundo mês (terceira sessão) se declarou e eu agi profissionalmente analisando com ela a necessidade que ela tinha, mostrando a ela o que a motivava a agir daquele modo (insegurança, sentimento de rejeição oculto, etc). Para ela eu fui o primeiro profissional que não "entrou na dela" e a tratou como uma pessoa, respeitando seus sentimentos e a ajudou a enfrentar suas dificuldades. Essa cliente conseguiu vencer sua dificuldade, e em agradecimento enviou muitas de suas amigas e amigos para realizarem terapia comigo.

 

6) O que você costuma fazer nas horas vagas para relaxar?

Caminhada, ginástica, leitura, ou assistir a filmes, etc.  Também gosto de escrever, e, em especial, conviver com minha companheira e atual esposa desde julho de 1990, já que temos muitos interesses em comum que nos alegram muito.

 

7) O que você ainda sonha realizar profissionalmente?

Conseguir atingir um maior número de pessoas com meus livros, palestras e cursos, contribuindo para que mais pessoas possam encontrar seu próprio caminho no desenvolvimento pessoal, tendo mais consciência de si próprias, conseguindo vencer a inibição, repressão  e culpa emocional (incutidos em especial pela religião), contribuindo para que haja mais pessoas saudáveis e menos violência no mundo. 

 

8) Como pessoa, você realizou todos os seus sonhos?

Acredito que sim, me formei, trabalhei no que eu gosto, que é lidar com o ser humano, tanto em empresas como em clínica, casei e tive 4 filhos (depois com o divórcio em 1990, casei a segunda vez e sou muito feliz), escrevi vários livros e mesmo aposentado, após 35 anos de atuação como profissional na área de comportamento, ainda atuo, escrevendo sobre comportamento utilizando minhas experiências de indústria, de treinamento de chefias e de terapia e vendendo meus livros pela internet, através do site www.editora-opcao.com.br

 

Estudantes de Psicologia:

 

1) Na sua opinião, quais são os fatores que contribuem :

1.1. Para a escolha do curso de psicologia?

Certa vez quando eu dava aula, na primeira aula de certo ano, fiz uma pesquisa, já que a sala tinha 100% de mulheres sobre o que motivou-as a escolher o curso que faziam: resultado: mais de 80% estavam no curso "à espera de um marido", pois o curso era uma oportunidade para saírem algumas horas de casa, ficando longe das vistas dos pais, tendo oportunidades de conviver com pessoas diferentes, etc. É claro que não se pode generalizar a partir dessa simples pesquisa em uma sala de aula, mas acredito que ainda se encontram muitos alunos, em especial moças, nessa condição. Como a maioria dos alunos de psicologia é composta de mulheres, acredito que a profissão tem algo de "glamour" idealizado, em ser "Terapeuta", por exemplo. E isso motiva muita gente.

 

1.2. Para desistência do curso de psicologia?

O principal fator acredito ser as altas mensalidades cobradas, que pesam para as famílias dos estudantes. Outros motivos acredito ser a defasagem entre o que é ensinado e o que muitos procuram, conhecimentos práticos que possam aplicar na realidade de suas vidas.

 

2) Como está o mercado de trabalho, especialmente para psicólogos recém-formados ?

Não saberia informar já que estou há muitos anos longe desse mercado, não atuo mais como psicólogo industrial em empresa (como empregado) , atuando mais como autônomo (ministrando cursos de treinamento e palestras em universidades). Mas, acredito que o mercado está a cada dia mais necessitando de bons profissionais, com bons conhecimentos práticos para a aplicação nas empresas, em especial.

 

3) Qual o diferencial de um(a) bom(a) psicólogo(a)?

Uma pessoa aberta aos conhecimentos, procurando se desenvolver todo dia, aprendendo cada vez mais sobre os assuntos que lida. Uma pessoa com humildade (sem a arrogância de "nariz levantado" que geralmente é encontrada em muitos que se formam e desenvolvem essa atitude, colocando-se a "quilômetros de distância" das pessoas que atendem). Ao enfrentar algum problema clínico, por exemplo, não ficar imaginando pelas teorias que aprendeu quais seriam as "explicações psicológicas" gastando  muitas sessões terapêuticas (e cobrando-as...) para resolver o problema. Em vez de complicar, simplificar! Há profissionais que visam somente o "ganhar a consulta" aumentando o tempo de tratamento em vez de tentar ajudar a pessoa num tempo menor. Por exemplo: Uma cliente com dificuldades de relacionamento com o marido, na hora do sexo. Em vez de ir por caminhos "teóricos", como terapeuta examinei  a relação do casal sob a ótica da comparação entre uma relação onde ela se realizava sexualmente e outra onde ela tinha dificuldades. Quais eram as diferenças? Foi pelo caminho simples de análise em vez de complicar, achando que ela teria algum "trauma" de infância ou outra explicação qualquer. Na análise que fiz descobri que nos fins de semana ela tinha plena satisfação com o marido e nos outros dias da semana não conseguia se realizar. Na comparação descobri que nos fins de semana o marido estava de banho tomado, cheiroso, até com perfume e nos outros dias ele, segundo a esposa, "cheirava a óleo de máquina de costura" (ele trabalhava como mecânico de máquina de costura numa indústria têxtil, chegava do trabalho às 22:30 e não tomava banho "antes"). Tratamento que recomendei: que a esposa sugerisse ao marido tomar banho ao chegar do trabalho, "antes" do sexo... Em uma sessão descobri a solução e uns dias depois a cliente telefonou informando: "Doutor, o Sr. tinha razão, era o cheiro da máquina que me inibia e me impedia de ter prazer..."   

 

Perspectivas da Psicologia:

 

1) Quais são as expectativas para  futuro do Curso de Psicologia?

Estou muitos anos longe do ambiente acadêmico  para opinar.

 

2) Qual o maior desafio na atualidade para o psicólogo recém-formado?

Pouca capacidade profissional dada pelos cursos que existem por aí. Cito um exemplo: uma vez ao realizar um trabalho de seleção em uma empresa aqui no Vale, que me contratou para fazer o serviço enquanto eu estava de férias em Lorena, e havia uma psicóloga recém-formada fazendo um estágio na empresa e ela ia fazer a seleção em outra turma. Os testes utilizados foram os mesmos. Na minha turma, 80% foram aprovados, a maioria tinha boas capacidades. Na turma da outra psicóloga os laudos dela indicavam que todos tinham nível mental de "debilidade mental" e 100% dos candidatos foram reprovados. O diretor da empresa achou aquilo estranho e por eu ter mais experiência do que a psicóloga  recém-formada, ele pediu que eu examinasse a situação com ele. Solicitei os testes aplicados por ela para examinar e constatei que ela tinha cometido um erro de interpretação. Os resultados dos testes de inteligência ela colocava numa escala de percentis do manual do teste, mas ao encontrar, por exemplo, o percentil 75 (que significa um resultado acima da média, um bom resultado) ela interpretava esse Nível 75 do percentil pela Escala de QI. Assim, todos os candidatos eram, obviamente, pela Escala de QI, limítrofes ou com debilidade. Ou seja, ela não tinha noção do que estava fazendo na interpretação dos resultados. Isso me deixou muito angustiado com a "qualidade" do que os alunos estão aprendendo nos cursos de psicologias que existem por ai. É claro que não posso generalizar a partir desse caso que constatei, mas conversando em várias ocasiões com alunos que estão no 5º ano, também constatei pouco conhecimento sobre certos assuntos que já deveriam estar dominando no final do curso. Será que essa falha não está nos professores com doutorados mas que na realidade pouco sabem das matérias que estão ensinando, têm pouca "prática" na aplicação da psicologia pois gastaram anos nesses doutorados e nunca trabalharam realmente com a psicologia seja em empresas seja em clínica? Isso só os especialistas das universidades onde existem cursos de psicologia poderão refletir e concluir.

 

3) Para que nós nos tornemos bons(as) psicólogos(as), qual o conselho, dica ou sugestão que você poderia dar aos estudantes de Psicologia?

Estude, estude, estude, estude. Não fique só nas "aulinhas" que teve no curso, vá além, pesquise, pesquise, desenvolva suas idéias nos campos que mais lhe interessam e que pretende trabalhar. Se é na área clínica, estude muitos livros sobre o assunto, se é na área empresarial, vá a fundo em tudo que se relacione a esse campo. Abra a mente e o campo de visão como pessoa e profissional.

 

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Como eu contei na entrevista acima, naqueles primeiros anos, na Faculdade Salesiana em Lorena, São Paulo, (atual Unisal) havia um Laboratório Experimental de Psicologia com diversos aparelhos especiais e, anexo a ele, uma sala com Caixas de Skinner para realização de experimentos de condicionamento com ratos. Além desse Laboratório existiam salas especiais com vidros unidirecionais, salas utilizadas para treinamento do atendimento clínico, no qual o aluno atendia um paciente em uma sala que tinha em um de seus lados, um grande espelho. Atrás desse espelho havia outra sala onde professores e outros alunos ficavam observando o que ocorria na sala de atendimento. Após o atendimento, o professor comentava o desempenho do aluno no atendimento do cliente e dava as orientações clínicas necessárias ao treinamento do aluno. Nos anos seguintes, por algum motivo, esse laboratório e outras dependências foram desativados.

 

Histórico do Laboratório de Psicologia

 

O Laboratório Experimental de Psicologia foi adquirido na Europa, de 1951 a 1953 pelo Pe. Carlos Leôncio da Silva, que na época estava à frente do Instituto Superior de Pedagogia do Pontifício Ateneu Salesiano na Itália. Continha aparelhos iguais aos utilizados no Instituto de Psicologia do Pontifício Ateneu Salesiana do Turin, na Itália, tendo sido o primeiro no gênero no Brasil. Na época existia idêntico material no Brasil, na Universidade Católica de São Paulo e na Faculdade D. Bosco de Filosofia, Ciências e Letras de S.João Del Rei, Minas Gerais. Os aparelhos, em sua maioria, foram construídos sob encomenda pela firma L.A.S.M. (Laboratori apparecchi Scientifici Médici) de Turim e pelo Instituto Conte Rebaudengo, da mesma cidade ou pelas oficinas do Laboratório de Psicologia da Universidade Católica de Milão.

 

O Laboratório iniciou sua montagem junto à Faculdade Salesiana em Lorena, em sala adrede preparada, a 15 de agosto de 1954 e foi inaugurado aos 17 de outubro do mesmo ano, com uma conferência do Prof. Lourenço Filho. Foi montado pelo Pe. Dr. João Modesti, seu primeiro Diretor, seguido pela competente e paciente direção do Pe. Dr. Antonio da Silva Ferreira. O Laboratório, em 1972 tinha como diretor o Pe. Vicente Moretti Guedes.

 

O Laboratório Experimental de Psicologia tinha como objetivos:

1. Formação científica dos alunos e estagiários no método da observação sistemática, da experimentação psicológica, adquirindo objetividade, precisão e senso científico.

2. Pesquisas no campo da psicologia pura e aplicada, possibilitando a professores e alunos interessados diversos trabalhos e estudos.

3. Demonstrações didáticas, feitas para os alunos ou estudiosos de outros institutos científicos, os quais, poderão assim constatar na prática a veracidade de certas leis ou o valor de suas aplicações.

4. Diversos serviços de casos, atendendo aos que desejam orientação profissional, educacional, diagnose e terapia de desajustamentos.

 

A partir de 1970, com a criação do Curso de Psicologia da Faculdade Salesiana de Lorena, atual UNISAL, o Laboratório de Psicologia teve um aumento de vulto em seu trabalho. Melhorou suas instalações para o estágio dos alunos e melhor atender às novas necessidades. Desenvolveu durante aquele ano o Serviço de Orientação Vocacional e Escolar, tendo sob seus cuidados a orientação do Colégio S.Joaquim de Lorena e o Instituto Estadual de Educação Oswaldo Cruz, de Cruzeiro, SP. Em janeiro de 1971 o Laboratório mudou-se para novas e amplas instalações, incluindo Biotério, no prédio do Colégio S.Joaquim. Em sua nova sede pode atender melhor seus objetivos, acrescidos na época, da Análise Experimental do Comportamento com o uso das Caixas de Skinner, para experimentos com ratos e da realização de Psicotécnicos para motoristas profissionais e amadores. As novas instalações do Laboratório tinha uma área de 225 m2, distribuídas em 7 salas especiais, de 4 m por 2,5 m, sendo:

1. Duas salas para aplicação do teste PMK, com mesas especiais apropriadas para aplicação desse teste.

2. Sala de Ortômetro.

3. Sala do Psicólogo, com instalações especiais para entrevistas.

4. Sala de Tempo de Reação e de Audiômetro, sala especial, subdividida em duas, sendo uma sala com os aparelhos medidores e outra, acústica, onde se realizava o exame, com intercomunicadores elétricos, fone e microfone.

5. Sala de secretaria: sala do expediente e arquivo de consulta.

6. Sala de arquivo, contendo estantes de arquivar os testes já usados ou realizados.

Além dessas salas especiais, há um salão de 25 metros por 8 metros e um salão menor de 6 por 8 metros.

 

APARELHOS PSICOLÓGICOS DO LABORATÓRIO EXPERIMENTAL DE PSICOLOGIA.

Os aparelhos existentes naquela época no Laboratório eram:

 

 

 

 

 

 

1. APARELHOS DE USO GERAL:

1.1. Amplificador Geloso 274/a com microfone e alto-falante, em ligação com a cabine silenciosa.

1.2. Máquina calculadora Olivetti para tabulação estatística dos testes e apuração rápida dos dados para pesquisa.

1.3. Projetor Projectofix, de Milano, para ampliação de figuras ou gráficos, projeção de diapositivos ou figuras opacas.

 

2. APARELHOS AUXILIARES, MEDIDORES E REGISTRADORES:

2.1. Metrônomo elétrico, modelo LASM para emissão de estímulos acústicos periódicos e variáveis, assim como para impulsos elétricos ritmados, através de um circuito interrompido para contato com mercúrio.

2.2. Aparelho de controle por queda para contatos elétricos.

2.3. Contador de erro LASM para corrente contínua de 10 volts.

2.4. Cronômetro elétrico de Jaquet, para corrente contínua de 10 volts com indicação de fração até décimo de segundo.

2.5. Aparelhamento para fixação de gráficos, com goma laca.

2.6. Quimógrafo elétrico (“detector de mentiras”), modelo LASM de Torino, com três velocidades.

O aparelho operava com papel enfumaçado ou tinta.

 

Estava provido de um prolongamento Hering que possibilitava trabalhar até com 3 metros de papel. O aparelho fazia registrações gráficas exatas e cronométricas controladas, exigidas pelas pesquisas de fisiologia, psicologia experimental e numerosas aplicações no campo da psicometria e psicotécnica. O aparelho funcionava também como “interruptor” e como aparelho de impulsos elétricos ritmados ou para correntes elétricas cronometradas.

2.7  Suporte, com anexos para associação ao quimógrafo de outros aparelhos medidores e contadores.

2.8. Cardiógrafo de Marey-Jaquet: cápsula pneumática montada sobre um aparelho de pressão, usado para exames psicofisiológicos da emotividade e para qualquer forma de controle psicofisiológico da atividade do candidato.

2.9. Pneumógrafo de Guzmann, que transmitia através de tubo de borracha às penas registradoras, as variações de pressão da respiração.

2.10. Cápsula de Marey, provida de penas registradoras para funcionar junto ao Quimógrafo, em associação com o Cardiógrafo ou Pneumógrafo.

 

3. APARELHOS PARA EXAME ANTROPOMÉTRICO:

3.1. Altímetro, para medir a altura total.

3.2. Balança marca Filizola, para apuração do peso.

3.3. Espirômetro de Pini, para avaliação da capacidade pulmonar.

3.4. Dinamômetro, modelo LASM, para medir a força muscular, manual e dorsal. Tabelado em três escalas de quilogramas força (60-120-180). Funcionava acionando-se, por pressão, duas barras paralelas, sendo a inferior móvel (movimenta três faixas de molas-lâminas colocadas em superposição). Na parte média anterior do aparelho há um mostrador que a força muscular em DINAS (unidade de força capaz de deslocar uma grama em um centímetro por segundo). A mensuração era feita por um ponteiro que se deslocava conforme a força dispendida e variava de zero a 180 dimas.

3.5. Compasso antropométrico.

 

4 – TESTES PARA ESTUDOS DE DIFERENTES FATORES MENTAIS:

4.1. Escala de Perfomance de W.P. Alexander: Teste de inteligência prática. A bateria de Alexander compreendia os testes: Passalong, Cubos de Kohs e Construção de Cubos.

4.2. Arco para demolir e construir: É um arco formado por nove blocos de madeira maciça (dos quais sete móveis) que representam os blocos de pedra de um arco de ponto (como o Arco do Triunfo). Indica: resistência nervosa frente às dificuldades, reflexão, lógica, método de trabalho, calma e domínio de si, energia, excesso de controle, fadigabilidade.

4.3. Teste de Atenção Distribuída de Bedini: modelo italiano. Retângulo contendo cinco linhas coloridas (preta, azul, verde, vermelha e amarela) sobre as quais estão variadamente distribuídos os discos coloridos. A prova (sobrepondo uma folha de papel transparente) parte do disco vermelho em baixo e une-se com o lápis com o primeiro disco que se encontra na linha da mesma cor (linha vermelha). Sempre unir o disco de uma dada cor com o primeiro disco que se encontra na linha da mesma cor daquele disco.

4.4. Teste de Atenção de Toulouse-Piéron: Mede a rapidez e exatidão da percepção. Modelo elétrico do Instituto Jean Jacques Rousseau com um aparelho anexo para computar automaticamente os erros e acertos.

 

 

5 – APARELHOS PARA ENGENHOSIDADE MECÂNICA OU INTELIGÊNCIA TÉCNICA

 

5.1. Bloco de Wiggly (O´Connor Wiggly Bock): Teste alemão que apura a inteligência prática, habilidade manual, observação, percepção de formas, importância da vista ou do tato no trabalho manual, coordenação visivo-motóricos, aprendizagem por tentativas ou erros, orientação mental.

 

5.2. Aparelho desmontável de Moede: Capacidade de intuição e golpe de vista da pessoa, memória visiva, grau de adaptação. Indicações do comportamento geral: metodicidade, reflexão, calma, impulsividade, irreflexão.

 

5.3. Mecanismos de Fritz-Heider: Dois engenhosos aparelhos. Somente um é de Heider; o outro foi acrescentado para confirmação dos resultados. Explora a habilidade de construções mecânicas. O sujeito deve retirar o mais depressa possível e com o menor número de movimentos ou de tentativas, a peça problema.

 

5.4. Caixa de Decroly: Apresenta um conjunto de 5 problemas com dificuldade diferente, cada um dos quais está ligado a diferente tipo de processo mental característico. É teste de inteligência prática, muito usado na Bélgica.

 

5.5. Aparelho de G. Richter: Exame psicológico de inteligência técnica. Coleção de 7 problemas de dificuldade crescente, tentando resolver situações hidráulicas. É um dispositivo que representa um  entrelaçado de condutores de água em que se podem inserir torneiras à vontade. O sujeito deve em cada um dos sete problemas, dispor as torneiras de madeira a fazer com que a água, que se supõe circular nos tubos, faça o percurso mais conveniente para obter os resultados que lhe são indicados pelo experimentador.

 

5.6. Teste A cidade, de Henri Arthus. Sem dados informativos.

 

6 – APARELHOS PARA HABILIDADE MANUAL E APRENDIZAGEM

 

6.1. “Souricière de Moede (A ratoeira): Reativo psicocaracterológico de habilidade manual de comportamento motriz. Modelo francês adotado por Pieron. É um fio de bronze torcido no qual é preciso passar 20 rodeletas metálicas. Avalia a motricidade, aprendizagem, comportamento geral, estado nervoso, coordenação bi-manual, visivo-motórica.

 

6.2. Cinestesiômetro ou Reglette Carard: Indicações sobre memória motriz, poder de controle, sugestionabilidade, automatismo, qualidades caracteriológicas. Cada aplicação apura 100 movimentos. O teste parece manter certa semelhança com o PMK de Mira y Lopes.

 

6.3. Falso Torno PÁS (Ambidestrímetro de Carro Duplo), de Moede: |Tem contagem automática de erros e tempo de erros. Usado para examinar a capacidade de dissociação e coordenação bimanual. Revela também, além das capacidades motóricas, dotes intelectuais (raciocínio, memória), adaptação, atenção, emotividade e características do trabalho manual, regularidade, fatigabilidade, rapidez de reações.

 

7 – APARELHOS PARA ESTUDO DA PSICOMOTRICIDADE

 

7.1. Tapping, com conta-golpes eletro-magnético: Serve para estabelecer o índice de capacidade motora voluntária para se fixar o índice de destreza e o índice de fadiga. Consiste numa placa metálica de 10 cm com um plano móvel, com fio elétrico flexível. O examinador bate com o estilete na placa metálica em golpes rápidos, num tempo determinado. Os golpes são contados eletricamente por um conta golpes.

 

7.2. Discos Reativos de Leon Walther: Mede a precisão dos movimentos, firmeza da mão, capacidade de apreensão, índice de desteridade. Compreende o seguinte material: dois planos nos quais existem 41 orifícios de 25 mm de diâmrtro. A profundidade dos orifícios do plano A é de 2,5 mm e a dos furos do Plano B é de 5 mm; 41 pequenos discos de 23 mm de diâmetro e 10 mm de altura. Teste feito de metal.

 

7.3. Tramômetro de Moede (Dextrímetro): Mede a firmeza da mão e sua motricidade, e a capacidade de auto-domínio.

 

7.4.  Desterímetro modelo LASM: mede a firmeza da mão.

 

7.5. Rodelas de Piorkowshy: Aparelho polaco para avaliar o grau de controle manual e agudeza visiva, bom senso e emotividade, espírito de observação, paciência, automatismo e perfectibilidade.

 

8 – APARELHOS PARA ESTUDO DA PERCEPÇÃO

 

8.1. Astes metálicas para ilusão de Muller-Lyer: Verifica as ilusões óticas de forma.

 

8.2. Mnemômetro de Rauschburg para determinação do tempo de apresentação dos estímulos percebidos. Discos com 60 setores apresentam estímulos variados: palavras, sílabas, sinais, números. Estuda o exame dos processos de memória e associação. Trabalha com corrente de 6 volts c.c. Envia estímulos a intervalos fixos marcados pelo metrônomo a contatos elétricos ou envia a intervalos variáveis por meio de um manipulador Morse.

 

8.3. Taquistoscópio de Netchaieff: Aparelho clássico, cronometrado com o relógio de Hipp. Para exame da rapidez de percepção das imagens.

 

8.4. Taquistoscópio duplo, de comando elétrico à distância.

 

8.5. Tempo de reação, simples, acústica e ótica: Modelo TR-12, do laboratório de Psicologia de Milão. Numa câmara acústica especial, estímulos são apresentados consecutivamente, mas em intervalos variáveis. Um papel milimetrado possibilita o registro automático de 50 reações em milésimo de segundo em conexão com um relógio contador tipo CCE-1.

 

9 – APARELHOS PARA EXAME DE VISTA

 

9.1. Ototipo de Snellen, para exame rápido da miopia.

 

9.2. Tabela pseudoisocromática de Stilling : 18 pranchas para daltonismo.

 

9.3. Lãs de Holgrem, para confirmação de daltonismo.

 

9.4. Campímetro ou Perímetro para avaliação do campo de visão para diversas cores e diversas situações emocionais.  Modelo de Landolt. Consiste em um arco graduado de 90º de raio, com cerca de 30 cm, que pode rodar  em redor de um eixo, com giro completo. O eixo é fixo em um suporte e atrás dele se encontra um disco graduado que permite a leitura de graus de inclinação de arco. Também o arco é graduado e sobre ele se faz correr, mediante um dispositivo mecânico, com quadradinho de papel colorido ou a figura que representa o objeto de observação. Em frente encontra-se um estribo para o queixo, regulável em altura, de modo que o sujeito possa fixar bem o olho, normalmente, no centro do arco, em que se encontra um ponto branco de referência.

 

9.5. Fotoestesiômetro, modelo PAS: Para determinar o limiar de percepção das diversas luminosidades. Integra o exame de daltonismo. Tabelado em Lux.

 

9.6. Estereômetro Batoscópio: Mede a percepção em profundidade. Modelo de Michette.  Consiste em uma armação de madeira com um visor para observação de três linhas metálicas, verticais, colocadas num dispositivo ao fundo. A linha central é fixa e funciona como ponto de referência das outras duas. Estas, à direita e à esquerda, ligadas a uma engrenagem, podem ser movidas em sentido de profundidade. O examinando deve, acionando um dispositivo, colocar as duas linhas laterais emparelhadas em linha com a central. Através de uma escala se pode verificar os desvios das respostas que por sua vez confrontam com normas próprias. Uma lâmpada ao fundo facilita a visibilidade.

 

9.7. Ortômetro:  Mede a percepção de profundidade (estereoscopia), visão escoptótica (acuidade visual e limiar de percepção visual), visão próxima (acuidade fotóptica e foria), visão ao longe (de percepção cromática), ofuscamento (medida de sensbilidade à luz aos estímulos ofuscantes), percepção de lateralidade (a forma, volume, distância de certo objeto). Consta de uma caixa metálica retangular tendo na parte anterior dois visores (ambos os olhos). Na parte posterior e superior existe uma abertura para se controlar as atitudes do examinando durante a prova. Lateralmente (direita) existem os controles manuais que são acionados durante a prova. O ofuscamento, uma das provas que o aparelho oferece,  é feito automaticamente através de uma célula elétrica que controla o tempo de exposição da luz. Aparelho utilizado em psicotécnico para motoristas.

 

10 – APARELHOS PARA EXAME DE OUTROS SENTIDOS

10.1. Audiômetro: Modelo italiano 801 N.042 Elit, Milano. Para acuidade auditiva. Examina os dois ouvidos em separado, emitindo freqüências variáveis de 125 a 8.000 hertz em em intensidade variáveis de 10 a 90 decibéis.

 

10.2 Ergógrafo de Mosso-Treves: Aparelho clássico que isola um dedo da mão e estuda a abilidade e pefadigrmite também, conclusões sobre traços caracteriológicos através do exame do ergograma.

 

10.3. Dinamômetro de Zimmermann (Dinamógrafo): Estuda o esforço máximo, a duração e do esforço e o trabalho realizado e a fadiga. O exercício é ritmado pelo som do metrônomo.

 

10.4. Estesiômetro, modelo PÁS, para estudo da percepção tátil nas diversas partes do corpo. sensibilidade tátil espacial.

 

11 – APARELHOS PARA ESTUDO DO COMPORTAMENTO ANIMAL

 

11.1. Caixas de Skinner (10 unidades):

 

A caixa de Skinner é uma gaiola experimental que, nas suas características gerais, segue os princípios básicos de um aparelho análogo desenvolvido pelo professor B.F. Skinner. Este aparelho apresenta, em relação aos clássicos labirintos, caixas-problemas e outros, a vantagem de permitir um melhor controle das variáveis experimentais e mais acurados registros do comportamento animal. O aparelho consta das seguintes partes:

1. Câmara experimental: é a parte do aparelho onde o animal permanece durante o experimento; 3 paredes de alumínio e uma de plástico transparente circundam-na; solado de barras.

2. Barra: Na parte direita, lado interno, há uma barra metálica redonda, ligada a um interruptor elétrico; produz um clique característico sempre que é pressionada.

3. Bebedouro: Na parede, lado externo, há uma tampa presa por um botão; tem um “pescador” com uma concha que mergulha na água (quando a barra é pressionada ou quando o experimentador o desejar) e leva uma gota de água para a parte interna da câmara experimental, através de um orifício. É deste modo que o animal receberá a água durante o experimento.

4. Caixa de controle: Controla, através de interruptores elétricos, os mecanismos experimentais da caixa experimental. Uma chave elétrica, na parte frontal, permite selecionar o tipo de ligação necessária, de acordo com cada fase do experimento.