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   TEMA: A APOSENTADORIA DE UM PRESIDENTE DE EMPRESA  

(Autoria: Art Buchwald)

 


A pior coisa para o presidente de uma empresa, quando se aposenta, é a verificação de que após uma longa carreira dirigindo pessoas e tomando decisões no valor de muitos milhões, ele não tem mais ninguém por perto a quem dar ordens, nem problemas vitais para resolver. Mas, se tal situação é terrivelmente frustrante para o presidente aposentado, a coisa piora muito do ponto de vista feminino.

Um dia destes, a mulher de Zuckert apareceu no escritório. Abbot Zuckert foi um bem sucedido presidente de uma empresa e se aposentou há seis meses. A Sra Zuckert começava a apresentar os primeiros sintomas de exaustão.

- "Não sei o que vou fazer", afirmou ela. "O Abbot está me deixando louca. Assumiu a direção da casa, do jeito que dirigia a empresa".

- "Como assim?" - perguntei.

- "Ele está dirigindo contra mim todo o esforço e dedicação que deu à empresa durante 35 anos; deixei de ser uma dona-de-casa. Assumi a Vice-Presidência, tendo a meu cargo a administração de nossa residência. Isso inclui a alimentação, limpeza, compras e controle do lixo. E sou obrigada a prestar contar sobre o andamento dos trabalhos. O Abbot insiste que eu não estou administrando a casa como deveria, que existe muita mão-de-obra ociosa. Ele instituiu um sistema de controle a fim de que possamos cortar os custos e, como diz ele, "conseguir o máximo com o mínimo".

- "Abbot sempre deu muita importância aos custos", comentei.

- "Ele exigiu uma revisão completa em nossa contabilidade. O que significa que não podemos manter diversas latas de salsichas na despensa. Além disso, está querendo que eu faça a lista de compras em três vias e que submeta ao comitê executivo todas as requisições para as compras da casa acima de 500 reais".

- "Quando ele estava para se aposentar, fiz algumas piadas sobre o assunto. Eu sabia que ele estava passando um período difícil, e que levaria muito tempo até compreender que passara para a reserva. Mas, ao invés de melhorar, ele está piorando. Ontem à noite, ele me perguntou se eu pretendia tomar alguma posição no caso do espinafre. respondi que nem tinha pensado no assunto e ele me disse que um supermercado da cidade estava vendendo espinafre a preço de banana e que era hora de comprarmos o máximo que pudéssemos. No verão, afirmou ele, "o espinafre vai estar em falta e nós faremos uma grande economia".

- Respondi que a gente não ia conseguir guardar o espinafre tanto tempo e como só éramos nós dois lá em casa, o nosso consumo não seria tão grande assim. Ele me disse que, quando se está à frente de uma casa, é preciso assumir riscos ou a competição poderá nos arruinar. E mandou que eu formasse um grupo de trabalho para estudar a forma de guardar o espinafre, bem fresquinho, até o verão".

- A senhora realmente está em papos de aranha", comentei com a Sra Zuckert.

- "O senhor não pode imaginar o que estou passando", disse ela. "Cada vez que eu chego em casa, Abbot já afixou um novo aviso no quadro que mandou instalar na cozinha, demonstrando o quanto gastamos no dia, nossa receita, o saldo. Ele não pára de falar em aumentar a produção e diminuir os custos, em coretar os gastos com mão-de-obra. Como eu sou o único funcionário da casa, isso naturalmente me deixa muito nervosa. Eu estou me sentindo insegura".

- Mas quem não se sentiria ameaçado de demissão?" perguntei.

- "Mas o pior mesmo são seus memorandos. Toda noite eu encontro um debaixo do meu travesseiro, mostrando os meus erros do dia. Na semana passada, no dia do meu aniversário, ele me deu de presente um enorme cartaz. Havia apenas uma palavra impressa: "Pense!".

- "Imagino como a senhora deve estar se sentindo. Mas por que a senhora não ameaça pedir demissão?"

- "Eu já tentei!", disse ela gaguejando, "mas ele respondeu que, se me demitisse, eu perderia à ajuda de custas..."

 

  

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