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  TEMA: Lições de vida de uma viagem ao sul do país  

  

 

                                                             Lições de vida de uma viagem ao sul do país

                                                                              (Antonio de Andrade *)

 

Uma criança de 5 anos, educada em pré-escola catarinense, visitando os avós em uma cidade paulista, após chupar um picolé, tinha em suas mãos o invólucro e o pauzinho do que sobrou do picolé. Ficou angustiada por não encontrar uma lixeira na praça, onde passeava com seus pais. Não jogou na calçada, mas levou esse lixo nas mãos até chegar à casa de seus avós, e com alegria colocou-o na lixeira. A força da educação em ação, ainda no nível de pré-escola, que as escolas do sul do país dão às crianças. E por extensão, pode-se deduzir que as pessoas adultas agem com essa mesma educação, como cidadãos responsáveis, não jogando lixo no chão das ruas ou praças. Atitude civilizada, muito encontrada em cidades do sul do país.

 

Esta e outras realidades são constatadas quando se realiza uma viagem turística a algumas cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Compare, caro leitor, as constatações feitas com a realidade da cidade onde você reside, em outras regiões do país. As pessoas das cidades do sul do Brasil, com sua cultura e educação, são bem diferentes das pessoas que vivem em cidades de outras regiões. Não é o que você também percebe?

 

A primeira coisa que salta aos olhos é o cuidado que as administrações públicas das cidades do sul dão aos logradouros públicos. Ruas, avenidas e praças bem cuidadas, asfalto sem buracos ou sem calombos de remendos mal feitos, faixas de pedestres pintadas bem visíveis, ruas e direções bem sinalizadas. A limpeza primorosa é geral nas ruas, nas beiradas das calçadas (sem mato crescendo, como se constata em outras cidades mal administradas). Dentro desse aspecto há um outro, muito agradável aos olhos, dando um aspecto diferente às cidades: é a existência de canteiros de flores multicoloridas, por toda parte, não só nas cidades turísticas como Blumenau e Brusque, em Santa Catarina, ou Gramado e Canela, no Rio Grande do Sul, mas é um aspecto também encontrado em pequenas cidades, como por exemplo, as na Rota do Sol, que vai de Canela para o litoral gaúcho. Flores nas rotatórias dos entroncamentos de ruas e avenidas (no sul chamadas de "rótulas"), em canteiros pelas calçadas, nos beirais de janelas de prédios ou casas, e até em jardins públicos ou de residências. Situação multicolorida difícil de encontrar em outras cidades fora do sul, com raras exceções, como a cidade de Campos de Jordão, SP.  (Na falta de fotos dos jardins, veja estas, para ilustrar).

 

 

 

 

 

Os administradores das cidades do sul cuidam bem de suas cidades, mas por que essa mesma atitude não é encontrada em administradores de outros municípios? Em sua cidade, caro leitor, você vê alguma flor ou vegetação verde? Os responsáveis dessas cidades sem flores nunca pensaram em alegrar o ambiente como ocorre no sul? Ou nunca se sentiram constrangidos por não cuidarem melhor da limpeza, do calçamento ou asfalto das ruas e logradouros públicos? Uma melhoria visual do ambiente certamente afetaria positivamente as pessoas, deixando-as mais alegres e felizes. No sul é comum encontrar muitas pessoas sorrindo, alegres e entusiastas (é claro, há também algumas carrancudas e de cenho franzido). Em cidades de outras regiões do país, observa-se que há muitas pessoas com "cara fechada ou amarrada", com profundos vincos no rosto, ao lado do nariz até a boca. Onde está o sorriso destas pessoas, tão raro de encontrar?  Por que não ter pessoas assim também em outras cidades do país?

 

Numa viagem ao sul a maior lição de cidadania é dada pelos motoristas, uma lição de responsabilidade cívica e de cumprimento do que estabelece o Código de Trânsito em seu artigo 70 ("Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre faixas delimitadas terão prioridade..."), aspecto que todo motorista em cidades de outras regiões deveria também, obrigatoriamente, cumprir. Em avenidas e ruas movimentadas das cidades do sul (a maior parte delas, com poucos semáforos), os motoristas - todos  sem exceção - param quando um ou mais pedestres pisam nas faixas pintadas no chão para travessia. Note bem, basta uma pessoa pisar na faixa e os carros param. Impressionante essa realidade, raramente encontrada em outros locais. Em outras cidades fora do sul, se você parar para um pedestre atravessar a faixa, é provável que o motorista atrás de você irá buzinar ou xingar. Questão de educação, ou melhor, de falta de educação dos motoristas?! Apesar desse incentivo à cidadania, há um aspecto negativo constatado nessa viagem ao sul:  a existência de dois radares numa estrada federal, a BR 116, que liga Lages, SC a Caxias do Sul, RGS, um no km 34,2 e outro no Km 40,1, radares administrados pela Guarda Municipal de Vacaria (Rua Marco Aurelio 415 em Vacaria) que em meu entender estão lá, um logo atrás do outro apenas para multar e arrecadar multas de quem trafega por aquela rodovia. Naquela estrada federal a velocidade normal é de 90 Km e esses dois radares estão logo após placas com velocidade máxima de 60 Km, obrigando a redução brusca do motorista, com sério risco de provocar acidentes. Apesar de trafegar abaixo de 90 Km fui multado pelos dois radares, num por estar a 68 km e no outro por estar a 71 km. Observe que as duas velocidades estão bem abaixo da normal de 90 Km. Esses dois radares de Vacaria estão dando um péssimo exemplo de falta de respeito aos que visitam o sul do país.

 

Tirando esse único aspecto negativo, as lições aprendidas na cultura diferente do povo do sul do Brasil, podem também serem aplicadas em outras cidades do país. É preciso começar a agir com mais responsabilidade e cidadania, no relacionamento coletivo, aprendendo com nossos irmãos das cidades do sul. Que tal, caro leitor, começar a agir em sua cidade como os motoristas do sul agem, cumprindo a lei do trânsito, dando preferência aos pedestres atravessarem nas faixas? Cada um mudando a atitude, aprendendo estas e outras lições positivas de vida coletiva, poderá também desenvolver um melhor ambiente, mais civilizado, para se viver nas cidades. E que tal começar a pressionar os administradores públicos para melhor realizarem suas obrigações, cuidando melhor das cidades? Todos, certamente, desejam viver em cidades com um melhor aspecto, seja nas ruas, praças, e por que não, cidades mais alegres com flores?

 

* Antonio de Andrade, é escritor. Seu site é www.editora-opcao.com.br

 

 

 

 
   

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