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        MENSAGENS EDUCATIVAS POSITIVAS     

 

 

 

TEMA: EDUCAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR: FIRMEZA COM CORAÇÃO!

Prezado/a internauta 

 

Por ocasião do lançamento, dia 4 de outubro/2003, do livro intitulado "Disciplina e a Educação para a Cidadania", respondi a algumas questões sobre educação, atitudes de pais e educadores e (in)disciplina, apresentadas nesta entrevista.

Faço votos que essas ideias possam ser úteis em seus trabalhos como educador ou pai/mãe.

Sobre esse tema, outras ideias podem ser encontradas em artigos e livros neste site, em especial, nos livros "Disciplina e a Educação para a Cidadania", "Criança Feliz, Adulto Feliz" e "Os Segredos de Fellicia" livros encontrados somente pelo site www.editora-opcao.com.br

No ideal de uma melhor sociedade humana, com melhores ações humanas,

Antonio de Andrade

Lorena, SP, Brasil

Contato pelo e-mail opcao@editora-opcao.com.br

 

É autorizado o uso do artigo, por quaisquer meios, com a indicação do autor e do site.

 

 

  

 

 

EDUCAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR: FIRMEZA COM CORAÇÃO

 

ENTREVISTA COM ANTONIO DE ANDRADE

 
 
 
 
 
 
    

P. Como o senhor vê a educação de hoje?

R. A educação de hoje está precisando de mudanças. A educação das novas gerações deveria ser bem realizada por dois segmentos sociais, a família e a escola. Desde que nasce até quando vai para a escola, a criança deveria estar sendo educada pela família, mas ela, de modo geral, não está cumprindo bem seu papel educativo. Estando os pais mais preocupados em "ganhar a vida", trabalhando fora, as crianças crescem mais soltas, sem uma disciplina adequada e um aprendizado de regras, de normas de convivência saudável. Quando os pais procuram ensinar alguma coisa aos filhos, erram muito ensinando valores distorcidos ("ter" mais do que "ser" mais), desenvolvem pessoas materialistas, egoístas e com ganância. E assim, as crianças crescem indisciplinadas e com estilos de ação e reação emocionais inadequados para uma boa convivência com os outros. Chegando à escola, esta geralmente quer cumprir suas metas de "dar matérias" sem uma maior preocupação em "formar" pessoas equilibradas e auto-conscientes que venham a ser adultos responsáveis e equilibrados. Acredito que a educação de hoje necessita urgente de mudanças, em especial nas atitudes dos pais, dos educadores e da própria sociedade como um todo, cada um procurando agir com mais "firmeza e com um coração enorme", agindo para que as novas gerações sejam melhor formadas. Mudanças que tenham como enfoque principal não só "transmitir conhecimentos" às crianças e aos jovens, mas socializá-los e humanizá-los adequadamente objetivando sempre o ideal da sociedade que almeja ser formada por pessoas mais responsáveis e equilibradas, com comportamentos saudáveis de um agir com cidadania, sabendo viver com os outros de modo mais harmônico. Esses aspectos de formação de pessoas equilibradas desenvolvo detalhadamente nos livros "Criança Feliz, Adulto Feliz" e "Disciplina e a Educação para a Cidadania", este escrito em parceria com a pedagoga e educadora Vera Lucia Ramos de Oliveira.

 

P. Há uma explicação para a indisciplina que impera hoje nas escolas?

R. A indisciplina é uma falta de respeito às normas sadias de convivência, às pessoas e coisas. Ninguém "nasce indisciplinado", a criança e o jovem "aprenderam" a agir assim, desde a tenra idade, com familiares que não se preocuparam em dar aqueles ensinamentos que as famílias antigas davam aos seus filhos, ensinando-os a crescerem com educação, com respeito aos mais velhos, com respeito ás coisas dos outros, às normas e regras sociais de um convívio civilizado. Uma criança que age indisciplinada está mostrando, na realidade, que desde o seu nascimento, não aprendeu aqueles padrões de comportamento que são habituais e aceitáveis dentro de uma família equilibrada. E uma criança aprende errado em famílias desestruturadas, ficando muito tempo assistindo á TV aprendendo só ações violentas com um festival de crimes e agressões que assiste inclusive em desenhos animados (20 crimes por hora em desenho animado é o que a criança assiste, conforme  pesquisa feita em 1998 por um jornal paulista) ou aprendendo com más companhias nas ruas... É na convivência com as outras pessoas que a criança aprende a ser indisciplinada (ou disciplinada). A indisciplina é um modo de agir e reagir "aprendido" e se foi aprendido, a criança aprendeu errado em seu desenvolvimento. Chegando á escola, a criança e o jovem acham que também no ambiente escolar podem agir como estão acostumados. E se encontram professores e dirigentes de escolas que não têm pulso firme na educação, fazendo bem a parte que lhes cabe fazer, o ambiente escolar só terá alunos indisciplinados. No entanto, se encontrar educadores que cumprem bem a missão de educar, usando de "firmeza com coração" na condução do processo da educação, certamente a criança e o jovem poderão aprender melhores comportamentos, e virem a ser e agir com disciplina, respeitando o ambiente, as pessoas, comportando-se como pessoas equilibradas. Em meu quinto e novo livro "Disciplina e a Educação para a Cidadania", há um capítulo específico sobre a escola e o professor na formação saudável de comportamentos disciplinados, onde apresento mais detalhes de como os educadores podem agir para que a educação das novas gerações não venha a ter resultados medíocres, mas sim excelentes resultados, formando realmente pessoas com postura cidadã responsável e equilibrada, tendo consciência da importância de agir com disciplina no ambiente social, seja na escola, na família ou na sociedade. 

Um outro aspecto relacionado à indisciplina e as escolas, é a falta da convivência social com outras crianças, na faixa de idade de 3 a 6 anos, época em que, segundo as pesquisas científicas, são formados os princípios de caráter e personalidade. É raro encontrar um governo municipal que se preocupe em dar as condições das crianças de sua cidade frequentarem pré-escola, dos 3 aos 6 anos, tendo ai nesse ambiente, as condições de vivenciarem aprendizados de convivência harmônica com outros, aprendendo a respeitar regras de convívio, compartilhando brinquedos, aprendendo a ter cooperação, reciprocidade, a ser solidário e respeitar os outros, nas brincadeiras e atividades de socialização. Acredito ser urgente a volta de pré-escola, com os municípios voltando a investir na formação saudável das crianças em especial nessa faixa importantíssima de 3 a 6 anos do desenvolvimento da personalidade e do caráter.

 

P. Como escritor o senhor tem uma preocupação muito grande por melhorar a sociedade. Como poderia haver essa melhora? O que se poderia fazer, e quem faria, para que ocorresse essa melhora?

R. Desde a época em que atuava como terapeuta e como treinador de pessoas em função de chefia e comando de empresas, eu tinha consciência de que é preciso que cada pessoa "comece a fazer alguma coisa" de mudança positiva, para que outras mudanças maiores venham a ocorrer, nos grupos, nas comunidades, nas empresas, escolas, etc e na sociedade como um todo. A melhora da sociedade acontecerá se começarem a ser feitas mudanças a partir da individualidade de cada pessoa, e estas juntando-se com outras que tenham o mesmo ideal de melhoria e mudança positiva, agindo como grupos organizados e atuantes com o objetivo de obterem mudanças. Não adianta ficar reclamando que a "sociedade está violenta"... É preciso começar a fazer alguma coisa, e isso só poderá ser feito por cada pessoa, seja em que atividade profissional estiver. Em meus livros e em especial nos artigos que tenho escrito e disponibilizados gratuitamente para escolas, jornais, empresas, prefeituras, etc, através do site www.editora-opcao.com.br procuro mostrar os caminhos de ação, seja na educação das crianças e dos jovens, seja no agir como membro da uma comunidade ou cidade, seja no agir como cidadão responsável, como pai ou mãe conscientes ou como membro de uma família ou casal. Eu procuro repartir com outros os conhecimentos que adquiri e desenvolvo através de minhas reflexões, das pesquisas que tenho feito e das conclusões e aprendizados feitos em minhas atividades como psicólogo, como palestrante para pais e educadores e como cidadão. Em todos os aspectos da vida de uma pessoa é possível começar a realizar mudanças para melhor, mudando para modos mais equilibrados de se relacionar na vida de casal, familiar, social ou no campo de trabalho. É possível cada um começar a ser mais atuante nos grupos em que participa, seja na igreja, na escola, no trabalho, nos clubes de serviço, na atuação política ou outra atuação. É preciso que cada um comece a fazer bem a sua parte, agindo como pessoa equilibrada, mais responsável, honesta, desenvolvendo valores éticos, etc. Cada pessoa deveria estar preocupada com a melhoria da sociedade, afinal vivemos em grupos, e se não for feita alguma coisa, logo estaremos voltando àquele ambiente social de barbárie que havia em certa época primitiva da sociedade humana, época em que ninguém respeitava ninguém, tendo ocorrido massacres e destruições de cidades e populações,  predominando a força bruta em vez de regras civilizadas de convívio grupal.     

 

P. Em um de seus artigos, o senhor diz para as mães serem más. Como assim?

R. "Mães más", na visão dos filhos, são aquelas mães que procuram fazer os filhos viverem dentro de certas regras sociais, de respeito, de cumprimento de horários e responsabilidades, mães que ensinam coisas adequadas aos filhos como arrumar a cama, escovar os dentes após as refeições, lavar a louça, fazer suas tarefas escolares, guardar seus brinquedos em vez de deixá-los jogados e muitos outros ensinamentos positivos. Vivências que na visão dos filhos, ainda imaturos, são de uma "mãe má", uma mãe "chata", que os faz cumprir certas coisas, que os faz agir com honestidade, com respeito aos outros, que os "obriga" a dizer obrigado, bom dia, desculpe, até logo e outras palavras de respeito e consideração. Para os filhos, mães que agem assim com eles são "más". E somente quando forem adultos e entenderem as atitudes de suas mães, esses filhos ficarão gratos a elas por terem sido firmes e rigorosas com eles, mostrando os caminhos certos, corretos de agir e se comportar, ensinando a eles responsabilidade, honestidade, cooperação, respeito, educação no trato com os outros, sensibilidade e outras qualidades humanas. Graças ao que aprenderam com suas "mães más", esses filhos nunca se envolveram em problemas de crimes, atos violentos, de vandalismo ou outros comportamentos inadequados socialmente de indisciplina. Quando adultos, esses filhos têm consciência dos ensinamentos positivos de ser uma pessoa com qualidades,  gratos por terem aprendido com sua "mãe má", e quando eles forem pais, certamente saberão agir do mesmo modo com seus filhos. E assim, a sociedade e seus filhos, pessoas equilibradas, agradecerão esse tipo de atitude de seus pais ou mães! Essas são as ideias básicas do artigo "Sejam más, mães!" encontrado no site www.editora-opcao.com.br no qual comento as excelentes ideias desenvolvidas originalmente pelo médico psiquiatra Dr. Carlos Hecktheuer. Essas ideias estão de acordo com o que desenvolvo no novo livro "Disciplina e a Educação para a Cidadania" no item sobre os estímulos saudáveis e necessários na família, para a formação equilibrada dos filhos.

 

P. Existe uma forma, um modelo de educação que seja útil para que ocorram mudanças positivas?

R. Em educação não existem fórmulas prontas, modelos prontos que podem ser úteis para todas as situações educativas. Existem princípios gerais e experiências que deram certo que podem ajudar a direcionar a educação para resultados excelentes, como uma educação visando a formação integral dos alunos. Cito como exemplo, a descoberta da importância das expectativas positivas dos adultos, pais e educadores, em relação às crianças e jovens, para se chegar a bons resultados na educação. Se um adulto mostrar que acredita na capacidade da criança e do jovem em aprender, em desenvolver suas capacidades com bons resultados, e se mostrar constantemente em suas atitudes, verbalizações e comportamentos que eles são capazes de virem a ser melhores, certamente serão obtidos excelentes resultados. A ciência psicológica já provou isso! Infelizmente, há um grande desperdício de energia emocional, pois a maioria dos pais e muitos educadores, "carregam" nos estímulos negativos em vez dos positivos, mostrando uma expectativa negativa, como por exemplo: - "Como você é burro para aprender! Não é possível ser tão lerdo assim para aprender!" No livro "Criança Feliz, Adulto Feliz" mostro claramente e com muitos exemplos e citações científicas as ações possíveis que os pais e os educadores podem ter para com as crianças e os jovens, para que sejam formados com equilíbrio, de modo saudável. E apresento, em especial, os tipos de mensagens positivas que os pais e educadores poderiam dar às crianças e jovens para a formação de uma autoimagem sadia. Não existem modelos prontos, mas é possível aprender com as conclusões científicas e delas encontrar os caminhos para bem educar as novas gerações. Recentemente escrevi um romance, "Os Segredos de Fellicia" e nele coloquei toda minha experiência como terapeuta de casais mostrando, através dos personagens, caminhos para que casais possam se relacionar melhor, seja no campo emocional, social ou sexual. E sei que muitos têm aprendido melhores formas de se relacionar ao lerem a história desse livro. Se você apresentar caminhos saudáveis, as pessoas poderão aprender também a ser melhores pessoas... 

 

P. Como não errar na educação dos filhos?

R. Os pais,  e também os educadores, se tiverem realmente o interesse em formar bem as crianças, saberão utilizar o bom senso na educação. Será que os pais sabem exatamente o que objetivam com a educação de seus filhos? O objetivo final geralmente é levar o filho a um agir com autonomia e consciência, com autocontrole. Esse tipo de agir, a etapa final de evolução do ser humano, é uma possibilidade que existe para cada ser humano e é nessa possibilidade que a sociedade acredita ao realizar a educação das novas gerações. Esse é o ideal de humanização e socialização que toda família e a sociedade deseja para as novas gerações. Mas como agir, em cada etapa evolutiva da criança, para que ela caminhe nessa direção? Em poucas palavras, os pais podem ajudar muito tendo "firmeza com coração". Firmeza em mostrar os caminhos certos de agir para os filhos, explicando, dando exemplos, mostrando porquê é importante agir daquele modo adequado ou correto. Como a criança pode aprender se não for mostrado a ela os caminhos certos? Além da firmeza na condução dos filhos pelos caminhos de aprendizado adequados, deve-se ter um coração enorme no lidar com os filhos, mostrando que apesar de se dizer um "não" em certo momento, não se deixa de amá-los, pois na realidade se está querendo o bem deles. Os filhos necessitam sentir que seus pais os amam, que confiam neles e em suas capacidades e os aceitam sem rejeitá-los. Em síntese: para não errarem, é importante os pais procurarem agir utilizando sempre os três estímulos básicos: estímulos de amor, de confiança e de aceitação.

 

P. O senhor enfoca muito nas ações dos pais. Em sua opinião, os pais são responsáveis pelo excesso de liberdade dos filhos e pelos comportamentos inadequados que eles apresentam?

R. Acredito na força educativa dos pais para formar filhos saudáveis e equilibrados. O lar é um dos fatores de maior importância para o desenvolvimento do caráter e da personalidade. Desde que nasce, o ser humano necessita de um longo tempo de aprendizado no ambiente de convivência com seus familiares, em especial seus pais. O grande papel dos pais no ambiente familiar é estimular os filhos a aprender. A Psicologia chama a isso de "aprendizagem social", pois a criança aprende no convívio com seus familiares e outros. E esse aprendizado pode ser distorcido por pais indulgentes e permissivos demais que sentem culpa quando dizem um "não" aos filhos. Pais que não sabem lidar adequadamente com seus filhos e erram muito ao não agir com firmeza na educação deles, que os deixam soltos demais, a fazerem o que bem entenderem, a terem crises de choro e birra. Pais indulgentes e permissivos demais erram muito porque não estão exercendo a sua natural autoridade de adultos para a formação de filhos saudáveis e disciplinados, mas estão formando filhos com comportamentos desajustados, com emoções tensas, que só sabem agir ou reagir com raiva, choro ou com ataques emocionais,  agressividade verbal ou física. Não ensinam os filhos a serem responsáveis, a cumprirem horário de dormir, de ver TV, de estudar, de brincar, de sair à noite ou de chegar da rua. "Educados" por pais permissivos ou indulgentes demais essas crianças chegarão a ser pessoas que não possuem a mínima noção de discernir o que é o certo e o errado e agirão como pequenos tiranos com os pais e com as outras pessoas e não será surpresa se ocorrerem, com já têm ocorrido, de filhos matarem pais. E quando filhos "educados" assim crescerem, certamente farão parte da "juventude pode tudo' que acham que podem fazer o que bem entenderem, que todos têm que aceitar o que eles querem fazer, que agem com egocentrismo exacerbado e insatisfação com tudo e todos. No novo livro "Disciplina e a educação para a Cidadania" ao analisar os segmentos sociais Sociedade e Família, mostro claramente as consequências altamente negativas da postura permissiva dos pais e dos educadores e o que fazer para agir com postura adequada que contribua para os filhos evoluírem como pessoas saudáveis e equilibradas e o que fazer para virem a ser pais mais responsáveis na formação de seus filhos. Se os pais cumprirem bem a missão de educar os seus filhos, certamente a sociedade poderá vir a ser melhor, tendo seres humanos mais equilibrados.       

 

 

 

 
 
 

 

* No site www.editora-opcao.com.br há outros artigos, livros e palestra de Antonio de Andrade. Veja, em especial, seus livros "Criança Feliz, Adulto Feliz" e "Disciplina e a Educação para a Cidadania" livros encontrados somente por esse site.